O CAMINHÃO DA MUDANÇA



Pois é.

Aconteceu.

Vamos nos mudar.

Recebi uma proposta de emprego que não dá para recusar de uma empresa lá no interior.

O salário não é muito maior, mas sei que a vida fora da capital é mais barata.

O fato é que eu precisava mudar.

Não estava aguentando essa vida, essa correria, essa confusão de ter de todo dia enfrentar um trânsito infernal, maluco, cheio de gente mal educada.

Chegava no serviço já estressado, de mau humor, continuava assim o dia inteiro.

E quando entrava em casa me sentia um trapo, o corpo moído, a cabeça tonta.

Falei com a família.

Não foi fácil, mas enfim.

Acho que vai ser bom para todos.

Fechar a porta da sala pela última vez é que vai doer.

Sei lá, às vezes sou emotivo.

Dá uma certa tristeza saber que estamos deixando um lugar onde vi o Beto e a Norinha crescer, onde passei noites e dias encafifado com as minhas preocupações e as minhas esperanças.

Onde passei um bom pedaço da minha vida.

Onde conheci pessoas simpáticas e antipáticas, boas e más, gente como o Zé, o porteiro calado que se tornou meu amigo, e até a dona Marta, a síndica, chata muitas vezes, mas sempre pensando em fazer o melhor para todos.

É, talvez eu sinta saudade desse prédio.

Temos de ir embora logo, o emprego não espera. 

E eu nem arranjei ainda uma casa, um apartamento, um lugar qualquer para ficarmos.

Mas enfim...

Pois é, acho que essa pieguice toda vai durar até a hora em que o caminhão da mudança chegar.

Fim