O ESTRAGO DA CHUVA



Choveu demais esses dias. Choveu quase uma semana sem parar.

Chego no apartamento e minha mulher me leva ao nosso quarto. A parede da janela está toda estufada.  

Acordo cedo no dia seguinte, a chuva passou, ponho a cabeça para fora, examino a fachada do prédio e vejo uma enorme e feia cicatriz, bem em cima da janela, a causa do desastre.

Interfono para a dona Marta, a síndica, minha única esperança.

Minutos depois, conto as novas para a minha mulher: o condomínio está sem dinheiro, dona Marta acha que dificilmente vai conseguir consertar a rachadura logo, pede que tenhamos paciência que ela vai dar um jeito assim que puder.

Eu sei qual é o jeito: rezar para que a chuva termine, a seca chegue logo e nunca mais chova.

Vou comprar tinta para pintar nosso quarto. Uma cor bem escura. O bege claro que escolhemos com tanto cuidado três anos atrás ficou todo manchado pela água que escorreu na parede.

Em certos lugares, parece um quadro modernista.

Afe!