UM DIA DAQUELES




Um cano de esgoto estourou na garagem, logo de manhã.

Fez uma sujeira e tanto. Ficamos sem água por várias horas. Consertaram - ou acharam que sim -, quebrou de novo: foi um sábado muito tenso no prédio.

Por fim, já quase noite, o interfone tocou e o porteiro avisou que a gente já podia usar as torneiras, dar descarga nas privadas, voltar a viver normalmente.

A garagem - eu desci para ver - ainda lembrava as horas do caos - estava toda molhada, cheia de pedaços do encanamento estragado pelo chão.

Mesmo assim, respirei aliviado. Já pensava como faria se passássemos mais um dia sem água.

Fiquei imaginando como era a vida antes, sem essas comodidades - água encanada, eletricidade, televisão, internet, gás na cozinha -, essas coisas modernas que nos dão tanto trabalho.