PINTURA CAPRICHADA


Dona Marta, a síndica, resolveu que era hora de pintar o interior do prédio. Estava meio acabado mesmo. Dos sete presentes na reunião de condomínio, quatro votaram pela pintura, três foram contra.

Um deles, o doutor Assis, ex-síndico, que faz oposição cerrada à gestão da dona Marta.

Mas ela venceu. O trabalho começou na semana passada. E já estou com pena dos pintores.

O doutor Assis não perdoa. Vê uma manchinha de nada, reclama, faz os rapazes passarem outra mão. Até mesmo quando eles não têm culpa, o homem manda pintar de novo.

Desse jeito, o trabalho não acaba nunca. E o pior é o cheiro da tinta. Está no ar, de manhã, na hora que vou trabalhar; continua à noite, quando chego cansado que só vendo. Até enjoa.

Se bem que acho que o problema maior vai ser quando a dona Marta se encher do doutor Assis.

Aí, não quero nem ver, é capaz de sobrar mancha de sangue nas paredes.