A LIÇÃO DE CASA DA NORINHA



Minha filha, a Norinha, me pediu, outro dia, que eu lesse um trabalho que a professora de português passou para a classe. Era uma redação de tema livre. Achei interessante: daria para analisar não só a gramática e essas coisas todas, mas a própria criatividade e, até mesmo, as aspirações dos alunos, uma turma de adolescentes que sabe-se-lá o que pensam.

Mas assim que a Norinha me entregou o caderno com o que havia escrito, fiquei sem saber o que fazer: afinal, o que eu entendo de literatura ou de português ou de qualquer disciplina que estudei há tantos e tantos anos?

Mas não tive coragem de dizer isso a ela. Por mais estúpido que eu seja, pelo menos sei que devo mostrar à minha família um mínimo de preparo para uma série de coisas - entre as quais uma trivial lição de casa.

Pois bem, peguei o caderno, fiz uma cara séria e disse à Norinha que iria ler com a máxima atenção a sua redação. E foi o que fiz. Ou, pelo menos, tentei. O fato é que quanto mais eu lia, mais em dúvida eu ficava.

Tive uma ideia que me pareceu luminosa. Lembrei do professor Dirceu, que mora três andares acima, um aposentado simpático que deu, durante muitos anos, aulas de português na escola pública.

Deixei de lado a minha timidez e assim que a Norinha saiu de casa, subi até o apartamento do professor e pedi que ele me ajudasse.

E como ele me ajudou! Fiquei sabendo, por exemplo, que os adolescentes de hoje não são muito diferentes do jovem que eu fui. Talvez se expressem de outra maneira, mas, no fundo, têm o mesmo desejo que eu e milhões de outras pessoas de encontrar a felicidade.

De um modo geral, o professor Dirceu aprovou a redação da Norinha. Mas, educadamente, ele observou que "êxito" tem um significado completamente diferente de "hesito".

Tudo bem, vivendo e aprendendo