MEU VIZINHO DA FRENTE


Meu vizinho da frente é um sujeito esquisito. Cruzo com ele poucas vezes, a maioria no elevador, quando vou para o trabalho ou ao chegar em casa, moído internamente. Mal me cumprimenta.

Também vejo pouco a sua mulher. É uma criatura tímida, que como o marido prefere viver em seu canto, despercebida, quase alheia à vida em seu redor.

O casal tem um filho pequeno, que, como os pais, é um animal caseiro.

Lembrei-me deles porque o Zé, meu amigo porteiro, me contou que eles iam se mudar:

- Parece que o seu Oscar (esse é o nome do meu vizinho esquivo) vai morar em outra cidade. Ganhou uma promoção na sua empresa, virou diretor ou algo parecido.

Não sei como o Zé, que também não é de falar muito, fica sabendo dessas histórias.

Mistérios do condomínio.

Outra coisa que não entendo é como um sujeito como esse meu vizinho, que parece ser o mais comum dos homens, pode se destacar em alguma coisa.

Mistérios da vida.

Fico imaginando quem vem em seu lugar, como serão essas pessoas as quais terei de, pelo menos, cumprimentar, dar bom dia, ser educado.

Não vou achar ruim se forem discretas como essa família que está de partida.

Mas, no fundo, preferia ter amigos a simples vizinhos.